Ressaca alviverde
Posted on 07. dez, 2009 by Fábio Bioca in Opinião
Se tem uma coisa que o futebol causa é a euforia. Um efeito catártico que faz milhares de indivíduos assumirem uma marca que não lhes pertence, incondicionalmente, por algo que juram ser amor. E, sinceramente, não há nada de errado com isso.
O futebol acaba sendo um hobby, uma terapia, um assunto e uma válvula de escape para a pressão do dia-a-dia.
Pena que, por trás disso hajam os aproveitadores. Os cambistas, os mercenários, os bandidos infiltrados nas torcidas organizadas e a pior corja: os cartolas.
Estes últimos, seres vampirescos, parasitas que fazem do que deveria ser uma expressão cultural uma gincana pessoal bizzarra.
Eu poderia estar desabafando a frustração da queda do Coritiba novamente para a segunda divisão do futebol brasileiro. Mas vou tentar me privar dessa tarefa sofrível. Quero me ater à imbecilidade a que nós, torcedores genuínos, nos sujeitamos. Um auto-flagelo ignorante da hedionda indiferença de um bando de velhos barrigudos e coronéis ridículos que se instituem donos daquilo que insistimos em acreditar, por tanto tempo, ser o nosso time do coração.
Falo de gente tão inescrupulosa que, são capazes de acreditar que os absurdos ocorridos ao final do jogo, no Couto Pereira, não seja, na sua maior parte, sua responsabilidade. Gente má. Criminosos. Tão agressores quanto qualquer bandido furioso que foi capaz de levantar uma pedra ou um porrete para promover a barbárie que se viu ao vivo pelas TVs neste fatídico domingo.
Eu sempre fui aos jogos, sempre acreditei que a união faz a força. Mas, esse tipo de força cataclísmica está longe das minhas aspirações.
E a união com gente da estirpe de todos os diretores e responsáveis pelo Coritiba Football Club, jamais aceitarei como mácula na minha vida.
Já cometi erros, já fui estúpido, imoral e irresponsável. Voltei atrás e limpei minha história.
Se, em uma empresa, alguém que foi contratado para administrá-la (por que há remuneração – o que configura a contratação, mesmo que por eleição dessa corja), e este alguém (e sua quadrilha), no ano do centenário desta empresa, diante dos olhos de todos a fazem perder mercado, agridem seus clientes e desclassificam a empresa como uma das melhores do país, sem serem SEVERAMENTE RESPONSABILIZADOS E PUNIDOS, certamente estes só podem ser os donos da tal empresa. Se esta corja se instituiu donos do que tantos acreditam ser uma instituição centenária há milhares de otários que os subsidiam em suas fantasias nojentas, nas suas propinas, bacanais e exorbitâncias vâs.
Enquanto alguns pedem desculpas, arruinados em sua carreira ou na sua integridade física, esses cães fétidos continuarão jogando suas fezes das sacadas, pois sempre haverá um cordão uniformizado disposto a financiar sua robalheira e seus churrascos com peladas de domingo transmitidas pelos pay-per-view.
E não estou falando dos cartolas do alvi-verde. Isso é o câncer na indústria do futebol que cresce às custas de sangue inocente e do dinheiro de miseráveis que levam aos estádios suas frustrações e as transformam em auto-flagelo.
Isso me levou a definitivamente desacreditar do futebol enquanto esporte e paixão. Gosto de assistir a uma boa partida e considero um bom entretenimento. Apenas isso. Não acredito em paixão por empresas travestidas de patrimônio público, não apoio torcidas organizadas, constituidas atualmente como refúgio e covil de marginais, nem dou crédito a qualquer clube, já que TODOS compram resultados, arruinam carreiras dos que não rezam conforme o seu terço e servem como simples acessórios libidinosos de joguinhos que causam vergonha alheia (como diz bem um amigo meu).
Não invista em futebol. Não acredite no futebol. Jogue futebol, corra, transpire e canse.
Mas acredite em coisas melhores, que possam fazer algo pra melhorar a vida de alguém e que não seja de propriedade de bandidos.
Se quiser me convidar pra assistir a um jogo, fique à vontade, pois irei. Mas não pago mais ingresso.
E, apenas por protesto, em 2010, que não seja do Coxa. Jogo do Coxa, só em 2011, pela TV aberta.


Madu
07. dez, 2009
Caro Bioca. Não fica de ressaca por causa dos cartolas do seu time. Vocês já subiram uma vez, conseguirão novamente. O importante é a disputa, a bola em campo. Quem sabe no ano que vem vocês voltam a jogar contra o Avaí, Furacão ou então contra o Hexacampeão Flamengo.
Abraços e consolos.
Madu.
Fábio Bioca
07. dez, 2009
Grande Madu. Dizem que futebol é uma caixinha de surpresas. Do jeito que foi, parece mais uma caixinha daquelas que pula um palhaço ou uma brincadeira como a da caneta que dá choque… Infelizmente o Coxa, como disse o pálido Ney Franco, não teve competência para permanecer na elite do futebol.
Agora, se o cara vem a público, com aquela cara de empada assumir parte da responsabilidade, dando a entender nas entrelinhas que não é culpa dele: DE QUEM É A CULPA?
A minha parte como torcedor, fiz. Minha é que não é a culpa. Será que vai aparecer alguém que assuma a bronca?
Conhecendo aquela trupe descarada que acha que está nas poltronas douradas do alto escalão da FIFA (os cartolas do Coritiba), a culpa vai ser mesmo só dos bandidinhos que invadiram o campo com pedaços de pau e tripés… Infelizmente, como eu disse antes.
elizeu
08. dez, 2009
Fala Bioca…
Cara, acompanho os seus posts a algum tempo, nós trabalhamos juntos em Curitiba lembra?
Foi uma pena mesmo o Coritiba ter caido, assim como foi uma pena ver os meus conterraneos se comportando da maneira como todos nós vimos pela televisão, não somente os que invadiram o campo, mas também os que criaram o estopim dessa bomba com anos de descaso com seus clubes, como você comentou acima, o que deveria ser uma expressão cultural, se tornou na verdade uma maquina para alguns poucos enriquecerem, e outros muitos, sofrerem.
Eu sou atleticano, e o meu time não caiu por muito pouco, fico sinceramente decepcionado de sermos privados de ver um atletiba ano que vem pela primeira divisão, pois dentro de campo sempre fizemos excelentes jogos, infelizmente fora de campo o jogo tem sido outro.
Um grande abraço
Elizeu
Fábio Bioca
08. dez, 2009
Salve, seu Nogueira.
Obrigado pelo teu comentário. Isso ilustra exatamente o que eu quis dizer: Não importa pra quem você torça, a indignação está bem além disso.
Quanto ao Coxa, não tenho mais o que lamentar. Agora, o esforço deverá ser para se manter na série B, já que sofrerá severas punições “exemplares” como papagaiam na imprensa.
O que lamento é a impunidade de quem realmente é responsável por isso e pelo péssimo resultado do futebol paranaense.
Uma coisa, porém, me deixou feliz: este nosso encontro virtual. Tenho aqui, a honra de conviver em paz com meus amigos atleticanos que, é bem verdade, escaparam por pouco.
Talvez devêssemos dar menos importância ao futebol e nos concentrar mais em rever os amigos, independentemente dos seus credos, cores e clubes (do coração?).
Grande abraço, Elizeu.
Apareça por aqui pra comer um camarão.
elizeu
08. dez, 2009
Verdade, deveriamos nos importar mais com outras coisas muito mais importantes que o futebol.
Pois é, estavamos a tempos sem nos falar, mantenho contato diário com o Apoena, lembra dele? E depois que recebi o email do hora insone, tenho acessado com frequência, para ler suas sempre belas palavras.
Eu estou morando no RS agora, mas vou com frequência ai pra floripa, inclusive hoje eu estava em busca de uma pousada ou hotel ai, estou cansado demais com POA, muito assalto, muita violência e Curitiba não esta muito diferente, as pessoas perderam esse feeling pela vida, pelas pequenas coisas como conversar com amigos, dizer um muito obrigado a quem não se conhece, enfim… Uma hora dessas que eu estiver por ai, tento entrar em contato contigo pra comermos esse camarão
Você tem o meu email ai né? Quando quiser manda um alo
Abraço
LUIZ ALBERTO MACHADO
02. jan, 2010
Parabéns, excelente blog. Indicarei nas minhas páginas, aguarde.
Abração.
http://www.luizalbertomachado.com.br
Jeanine
18. jan, 2010
Tá em férias mano?
Tô sentindo falta
=p
Fábio Bioca
18. jan, 2010
Grande Luiz Alberto. Esse cara é reconhecidamente um artista. Estou esperando que venha para Floripa uma hora dessas para conversarmos pessoalmente. Obrigado pelo incentivo e parabéns pelas tantas iniciativas cênicas, musicais e poéticas. Grande abraço.