Desengano

Posted on 20. jan, 2010 by Fábio Bioca in Poesia


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Sangra, ao marulhar das tuas lembranças absurdas, minha memória insana.
As rôtas lamentações que adornam meus pavilhões ensurdecidos
são as rezas débeis do que me fora a fé, incrédula.
Foram-se os dias felizes…
Foi-se a alegria, restam-me todos os dias…
Sonhos emboloram-se feitos tolices obscenas
rebocadas nas paredes frias do meu coração infanto.
E o riso? Jaz só riso ou sorriso
desdentado e enjaulado pelo delito insólito de crer na candura dos teus olhos incontempláveis.
Que seriam as fontes da purificação do corpo,
refrigério da alma e teu colo acolheria todo o desalento da espera da tua primeira vista.
Sangro ao banhar em tuas lembranças absurdas, minha esperança humana.

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