Irreversão

Posted on 29. mai, 2010 by Fábio Bioca in Poesia

Abismo, já precipitado…

Pouco depois da pausa

um surdo estampido me acalma.

Estarrece-me o fôlego d’alma,

tamanho terror que me causam

presságios que tenho do trauma.

Numa fração de segundo

despedem-me os pés do terraço,

os olhos cerram, abro os braços;

De alma e sangue no espaço

desfaleço em vôo profundo.

Incandeço no peito e a ardência

escorre-me acima das costas.

No torpôr traz a esperança

que extasia-me a demência,

descarnando-me à mostra

as asas que tanto gostas…

Morro vil, vivido santo;

Refém do desejo incauto,

Aviltado como em assalto.

Nem velho, nem tão infanto,

lúcido, frio e infausto,

Incólume em meu recanto.

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