Insuficiência
Posted on 29. mai, 2010 by Fábio Bioca in Desabafo, Poesia
Nunca fui parcial quanto ao tanto que amei,
arrisquei,
me entreguei,
entreti, acreditei,
ouvi,
calei…
Nunca fui só um pouco,
sempre fui o excesso ou nada.
Nunca remediei uma fratura
Sempre amputei braços e pernas
Ou curei as próprias chagas com saliva e lágrimas.
Nunca disse que iria pensar se sim ou que não…
Sempre disse SIM,
Às vezes disse não.
Subi em penhascos e desci a abismos.
Me joguei em voos absurdos e desapareci entre nuvens,
Ora planando às alturas, ora em queda livre
E sempre acordei no dia seguinte.
Sempre sorri na manhã seguinte.
Sempre resolvi arriscar de novo.
Sempre enxerguei alguém que valesse a pena,
Quer fosse um desconhecido ou o companheiro de ontem.
E todas as vias que abri, embrenhado nesta minha selva
Me levaram até o fim
E ao recomeço.
Talvez seja um ciclo infindável
Ou seja uma nova trilha, definitivamente.
Talvez seja a pura vontade abusiva de viver
Tudo que seja possível dentro de mim, só.
Ou seja uma fome do sangue que corre nas minhas veias.
Quem sabe, ainda, o vazio entre cada batida no meu peito,
Que me faça impelir contra mim mesmo
E contra toda a impossibilidade de não alcançar o cume
Da minha bizarra vaidade de achar que posso
Te encontrar um dia
Num recomeço…
Em um fim
De uma rua ou em uma esquina
Onde estejas me esperando…
Me chamando entre as frestas
Do tapume que me impede de enxergar
O que há logo ali, a poucos palmos
Na tua direção.


Paulo Eitelwein
20. jul, 2010
Bioquinha do Céu.
Que texto mais tesão esse… Em varios paragrafos vi a mim mesmo e em outros olhei para voce com certa inveja.
Profundo… lindo… e tocante.
beijos.
Fábio Bioca
20. jul, 2010
Obrigado, Paulão.
Fiquei lisonjeado com o teu comentário.
O mais interessante é que uma conversa no instant messenger me inspirou a escrever isto. Quando escrevi a última palavra, copiei e colei. A única coisa que acrescentei foi o título e a revisão da pontuação. Traduz muito de mim mesmo, apesar de nuances da minha auto-imagem, provavelmente deturpada pelos meus interesses mesquinhos.
Acho que isso é um retrato de qualquer um que, por mais que tenha dado com os burros n’água, não tenha medo de acreditar que é possível amar e se apaixonar sempre.