Cheque-mate

Posted on 30. mai, 2010 by Fábio Bioca in Poesia

Lá estava eu novamente, bem diante de toda aquela escuridão.

Enquanto tua atenção em brisa me massageava os cabelos,

os tufões da dispersão assolavam tudo o que preservei a cada dia.

Frente ao caos, fechei os olhos. Nem senti a falta do ar…

Sequer ouvi meu rosto tocar o chão.

Apenas regorgitava o féu das asas dos teus pensamentos

que pareciam querer saltar-te dos olhos.

Tão cinzentas quanto a fumaça sobre o lago dos desejos estancados em meu peito.

Macias a ponto de esculpir escaras letais às costas da alma.

Sarcásticas presílhas das luvas de um carrasco,

que tilintam aos ouvidos do réu até a rendição absoluta.

Talvez, se eu tivesse conseguido capturar um único vôo dessas sombras,

teria conseguido sobreviver à dor de perdê-la da vista.

Talvez não tivesse fechado os olhos.

Mas minhas armadilhas faliram em seus propósitos

e despedaçadas adornaram minha vergonha crua.

Não há nenhum memorial.

Mal sabe quem me pisoteia todos os dias.

Pois nem houve batalha. Apenas um massacre.

E pra mim o fim, mais uma vez.

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