Croupier
Posted on 30. mai, 2010 by Fábio Bioca in Poesia
Eu vi o nascer do sol como se escorresse da sua cabeça
E tudo que havia ao entorno era penumbra e breu.
Suas mãos eram suaves com as asas de uma Danaus
Enquanto o seu perfume embaralhava todas as minhas idéias
Abrindo-as sobre o veludo com a precisão de uma ilusionista.
Não me cabia o blefe, nem me inspiravam os naipes
Então, em cada olhar pasmo me denunciei na angústia
De exibir minha falência ante seu cêrco implacável.
Em um campo avassalado, caí sob minha nudez.
Não havia dor, nem rancor ou qualquer repreensão,
Apenas pulsava o prazer e o riso me enchia a face,
No delírio de falir paralisado e consciente, inconseqüente…
Sentindo o gosto do orvalho que brota da sua boca,
Dando outra vista aos olhos e arritmia ao peito
De quem se aventura a fitar os seus olhos
E desejar algo mais que admirar sua beleza exposta.
Venham Diamantes, Corazones, Piques y Treboles!
Sucumbiram os meus coringas mas permanecem o ócio e o vício
de receber das suas mãos, as cartas do meu próximo jogo.


Com a palavra