Minha versão de Doce Novembro

Posted on 04. nov, 2009 by Fábio Bioca in Crônica

Que sexta-feira, aquela! Não acabava nunca.
Lutei enquanto pude contra o sono, até que finalmente cansei e adormeci.
Logo que acordei, num sábado ensolarado, a ansiedade tomou conta do meu dia.
Ouvi uma movimentação lá fora e vi pela janela da sala que meu pai havia chegado.
Ao lado de uma fileira de margaridas brancas, estava faceiro e colocava e tirava coisas do porta-malas da nossa Variant vermelha.
Num lapso do tempo, estavamos sentados quase histéricos no banco traseiro, eu e meu irmão, de camiseta listrada. O Rubinho, que nos servia de babá improvisada, ia na frente, enquanto meu pai guiava-nos pelas curvas da estrada por algumas dezenas de kilômetros intermináveis.
Finalmente, chegamos a uma rampa enorme que dava acesso ao prédio onde estava a grande surpresa.
Não lembro direito o que se sucedeu em seguida disso.
Provavelmente porque não tem a menor importância perto do que eu estava para viver.
Entramos por um corredorzinho que dava acesso a um quarto que variava entre o bege e o cinza e finalmente: lá estava minha mãe.
Com seus cabelos longos e sorriso suave, olhou pra mim para meu irmão como quem diz “oi, estava esperando vocês…”
Fui direto ao que mais me interessava. No seu colo, tinha uma mantinha toda enrolada, como um casulo. E, dentro dela, uma cabecinha. Pelo menos era a única coisa que dava pra ver para matar a minha curiosidade.
Lá estava ela. Foi amor à primeira vista.
Mal sabia eu que ela seria a princesinha da nossa casa.
Nem fazia idéia, também, que ela seria tão branquinha, de bochechinhas rosadas, olhos grandes como os de mangá.
Como seria linda nossa menina.
Ah, se eu soubesse o quanto ela me traria alegria…
Eu nem imaginava o quanto seríamos cúmplices. Quantas vezes nos beijaríamos nos abraços apertados.
Eu jamais entenderia naquele momento como seria bom vê-la sorrir enquanto cresceríamos, dia-a-dia.
Muito menos o quanto sentiria sua falta quando estivéssemos longe.
Foi mágico!
Tão forte que imprimiu na mimha memória como se tivesse sido escrito com uma faca no tronco de uma árvore.
Amanhã vou acordar novamente no dia quinto dia de novembro e já serão 32 anos do grande encontro inesquecível.
Muito tempo depois que voltamos no nosso carro vermelho para uma vida diferente da que tínhamos até outubro.
Uma vida a 5, depois a 6, 7, 8…
Numa casa onde sempre tivemos tantos meninos à mesa, sempre houve um lugar especial para a doçura e a delicadeza.
Um lugar para roubava nossa atenção.
Que linda nossa menina!
Que menina linda!
Que linda, Jeanine.
Parabéns, Jê. Desde aquele 4 de novembro, sempre amei você e vou amar todos os dias.

Que sexta-feira, aquela! Não acabava nunca.

Lutei enquanto pude contra o sono, até que finalmente cansei e adormeci.
Logo que acordei, num sábado ensolarado, a ansiedade tomou conta do meu dia.
Ouvi uma movimentação lá fora e vi pela janela da sala que meu pai havia chegado.
Ao lado de uma fileira de margaridas brancas, estava faceiro e colocava e tirava coisas do porta-malas da nossa Variant vermelha.

Num lapso do tempo, estavamos sentados quase histéricos no banco traseiro, eu e meu irmão, de camiseta listrada. O Rubinho, que nos servia de babá improvisada, ia na frente, enquanto meu pai guiava-nos pelas curvas da estrada por algumas dezenas de kilômetros intermináveis.
Finalmente, chegamos a uma rampa enorme que dava acesso ao prédio onde estava a grande surpresa. Não lembro direito o que se sucedeu em seguida disso. Provavelmente porque não tem a menor importância perto do que eu estava para viver.
Entramos por um corredorzinho que dava acesso a um quarto que variava entre o bege e o cinza e finalmente: lá estava minha mãe. Com seus cabelos longos e sorriso suave, olhou pra mim para meu irmão como quem diz “oi, estava esperando vocês…”

Fui direto ao que mais me interessava. No seu colo, tinha uma mantinha toda enrolada, como um casulo. E, dentro dela, uma cabecinha. Pelo menos era a única coisa que dava pra ver para matar a minha curiosidade.

Lá estava ela. Foi amor à primeira vista.

Mal sabia eu que ela seria a princesinha da nossa casa. Nem fazia idéia, também, que ela seria tão branquinha, de bochechinhas rosadas, olhos grandes como os de mangá. Como seria linda nossa menina.
Ah, se eu soubesse o quanto ela me traria alegria… Eu nem imaginava o quanto seríamos cúmplices. Quantas vezes nos beijaríamos nos abraços apertados.
Eu jamais entenderia naquele momento como seria bom vê-la sorrir enquanto cresceríamos, dia-a-dia. Muito menos o quanto sentiria sua falta quando estivéssemos longe.

Foi mágico!

Tão forte que imprimiu na mimha memória como se tivesse sido escrito com uma faca no tronco de uma árvore.
Amanhã vou acordar novamente no dia quinto dia de novembro e já serão 32 anos do grande encontro inesquecível. Muito tempo depois que voltamos no nosso carro vermelho para uma vida diferente da que tínhamos até outubro. Uma vida a 5, depois a 6, 7, 8…

Depois disso, numa casa onde sempre tivemos tantos meninos à mesa, sempre houve um lugar especial para a doçura e a delicadeza.
Um lugar que roubava nossa atenção.

Que linda nossa menina!
Que menina linda!
Que linda, Jeanine.

Parabéns, Jê. Desde aquele 5 (na verdade, 4) de novembro, sempre amei você e vou amar todos os dias.

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14 Responses to “Minha versão de Doce Novembro”

  1. Jeanine

    04. nov, 2009

    sem palavras.
    obrigada por fazer-me conhecer o modo como me ama.
    amo vc mano.
    chicÓria maria (rs)

  2. Gisele

    04. nov, 2009

    Lindo texto!!Mais lindo ainda porque é repleto da verdade continue escrevendo vou visitar sempre sua página!!Abraços!

  3. Fábio Bioca

    04. nov, 2009

    Olá, Gisele.
    Obrigado.
    É a mais pura verdade.
    Esta é a história verídica do meu ponto de vista do nascimento da nossa Jê.
    Beijo e volte sempre mesmo.

  4. Fábio Bioca

    04. nov, 2009

    Jê, acho que não preciso dizer muito mais.
    Amo você.
    Aproveite o seu dia.
    Beijo.

  5. Negaxu

    04. nov, 2009

    É meu nego! Bom é quando a insônia, transforma-se na oportunidade de deixar fluir os pensamentos. Pensamentos estes, que muitas vezes estão contidos pelas vozes surdas, mas potencialmente mortífera. Voa livre neguinho! Faça jus a tudo que carregas e lapidas, anos após anos. O tempo certo sempre será percebido pela paz, pela intuição e julgamento centrado em Deus.
    Beijo de quem te conhece bem!
    Love, love, love sempre!

  6. Fábio Bioca

    04. nov, 2009

    Ah, Cida.
    Não poderia faltar você aqui.
    Puxa, que maravilha. Estou mesmo ficando satisfeitíssimo com essa feliz idéia de ter publicado essas “tão mal traçadas tecladas”, hehe.
    Afinal, reunir amigos como você e tantos outros que me retornam, parecia quase impossível.
    Obrigado pelo carinho. Amo muito você também.
    E pra quem não sabe, é a Xuxu, minha amiga. Minha irmãzona.

    Beijo.

  7. Joe Costa

    04. nov, 2009

    Se isso não é amor,
    me diz, o que pode ser?
    Parabéns aos 2.
    Que prazer tê-los como amigos/irmãos!!!
    Bjs!

  8. Fábio Bioca

    04. nov, 2009

    Big Joe. Faltava você por aqui.
    Obrigado pelo carinho.
    Estamos com saudade de você, das meninas e da Dedé.
    Beijos a todos.
    Vamos nos falando.

  9. Tere

    04. nov, 2009

    Oi Fábio. Noooooosa me emocionei com essa crônica pra Jê. As crianças sentem infinitamente melhor o significado das coisas que acontecem. E hoje é o dia dela, dessa alemãzinha catarina, como a mãe.
    Parabéns a vocês!
    Um beijo,
    Tere

  10. Fábio Bioca

    04. nov, 2009

    Oi, tia Tere.
    É, foi mesmo um dia muito emocionante.
    Pena eu não poder estar por aí para encher ela de beijos e abraços.
    Que bom que você também passou por aqui.
    Volte sempre.
    Amo você.
    Beijo.

  11. Junior (vulgo Hamilton)

    19. jan, 2010

    Poxa e quando eu nasci???????!!!!!eheheh

  12. Fábio Bioca

    19. jan, 2010

    Salve, salve, Junior. Que bom que nos encontramos, pelo menos por aqui. Cara, tenho muito orgulho de você, também. Não fique enciumado.
    Um cara vencedor, leal, amigo. Sem falsos elogios, é isso mesmo que eu penso a teu respeito. Fiquei muito feliz ao ver o teu comentário. Obrigado.
    Grande abraço, primo. Vamos ver se pelo menos em 2010 a gente se vê, pq já está ficando chato. Parecemos nossos tios… heheh.

  13. Junior

    20. jan, 2010

    ehehe…valeu mesmo!!Rasgações à parte tenho muito orgulho de vc também, bonitão, inteligente, simpático, na área das artes nem precisa comentar né?Temos sim..não vamos deixar a “maldição” dos Rolim nos pegar…hauhuahua..Beijão e quando vier para cá pede pro Eliel me avisar

  14. Jeanine

    21. jan, 2010

    Sempre volto aqui ler “isso”.
    =)

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